sábado, 3 de março de 2012

Os meninos e meninas
seus Caminhos de Sonhos, e Rebeldias

Como se algo, assim, estranho


Siga em:  A Travessia do Samsara

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012



Sobre a programação, veja em : EVENTOS


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011


Programa de Redução de Estresse
Baseado na Plena Atenção
(MBSR – Mindfulness Based Stress Reduction)

Estimados amigos:

Estivemos durante 9 dias (26 de novembro a 04 de dezembro) participando do Curso de formación profesional en el programa REBAP/TCBAP, em Montevidéu, Uruguay, 2011, dirigido para pacientes e instrutores (practicum). O curso esteve  sob orientação de Fernando de Torrijos, Director Mindfulness Programs in Psychiatry, MBSR/MBCT, Senior Teacher, Center for Mindfulness University of Massachusetss Medical School, Dept of Psychiatry.

Para o curso de formação de instrutores no MBSR, participaram profissionais de várias áreas, incluindo áreas de saúde, e de vários países latinoamericanos (Uruguai, Chile, Argentina, Colombia, Brasil).

O Programa de Redução de Estresse é um treinamento baseado na prática da Plena Atenção (Mindfulness), inspirado nos ensinamentos budistas da meditação da plena atenção, e desenvolvido pelo Dr. Jon Kabat-Zinn, da Clínica de Redução de Estresse do Centro Médico da Escola de Medicina da Universidade de Massachusetts.

O Programa de Redução de Estresse é um curso de oito aulas, estruturado para ensinar os pacientes com um amplo escopo de condições crônicas como cuidarem de si mesmos e participar totalmente na melhora de sua saúde e qualidade de vida como um complemento dos tratamentos médicos e psicológicos que possam estar recebendo. O Programa de Redução de Estresse Baseado na Plena Atenção está integrado no contexto do atual campo emergente da medicina mente/corpo.

O programa está baseado num treinamento sistemático e intensivo em meditação da plena atenção e exercícios de alongamento com atenção plena (Hatha yoga) e suas aplicações na vida diária, dirigidas para incrementar o relaxamento e a consciência inata, assim como experiências mente/corpo relacionadas com suas principais queixas médicas, emoções e pensamentos e seus efeitos em sintomas, sentimentos de saúde e bem estar, reatividade ao estresse, confronto e sentido global de si mesmo e da relação consigo mesmo.

Pesquisas feitas por instituições médicas e científicas têm evidenciado os benefícios deste treinamento para a saúde humana. Estaremos em breve procurando oferecer as saudáveis contribuições  deste treinamento para o bem de muitos seres.

com metta e amizade

Arthur Shaker
Casa de Dharma - SP



















quarta-feira, 31 de agosto de 2011




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Os meninos e meninas
seus Caminhos de Sonhos, e Rebeldias

Os temores de Flebeca


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quarta-feira, 24 de agosto de 2011




Meditação da Plena Atenção (Mindfulness), Neurociências e Saúde


a Memória e a Meditação da Plena Atenção (Mindfulness)

Zlatica Defarias*


Dedicado ao Dr. Veriano Alexandre, CIREP/USP, Ribeirão Preto.
E a todos aqueles que estão em busca das memórias.


“Evocando as lembranças (e o passado), adicionamos valores de sonho. Nunca somos verdadeiros historiadores; somos sempre um pouco de poetas, e nossa emoção talvez não expresse mais que a poesia perdida”. Gaston Bachelar

Os significados e as funções da memória são construções que nos tem fascinado há anos. Após uma encefalite virótica, em consequência de uma contaminação pelo “aedes aegypti” (dengue), nos levando a experienciar uma “perda” da memória de longa duração (“dura de duas horas, dias ou anos, garantindo o registro do passado autobiográfico e dos conhecimentos do indivíduo, Lent, 2.005) e a privação dos significados do passado autobiográfico por dias, pudemos nos aproximar da poética de Clarice Lispector (1.976) no “Sou composta por urgências: me entupo de ausências, me esvazio de excessos”. Também, nos tornamos próximos do que pesquisadores como Bergson afirmaram há décadas, especialmente no que se refere à ilusão de que só temos uma identidade porque nos lembramos.

E com a gradual progressão em que nossas memórias de longa duração iam sendo resgatadas, pudemos experienciar o que Rosenfield (1.994) concluiu quanto a “nós não nos apoiamos em imagens fixas, mas em recriações - imaginações – pelas quais o passado é remodelado em formas apropriadas para o presente”. O leitor pode reproduzir o quanto de “criações de significados” tivemos que “recriar” para que pudéssemos ter “nossas memórias”? O quanto tivemos que “compor” a partir de representações não advindas das reminiscências de funções corporais, sensações, emoções, percepções, formações mentais (imagens, pensamentos, memórias, etc) e consciências originárias de cada contato corporal e mental que tivemos em nossa história pregressa (com nossos conhecimentos e idéias) e fixadas em uma área cerebral que apresentava algumas disfunções? Mas “compor” a partir de dados não relacionados a essas reminiscências que estariam localizados em outras “redes neurais”? E aproximando-se de pesquisadores como Ledoux, pode se responder, como o fizemos por inúmeras vezes, se deixamos de ser quem somos se perdemos nossa “assinatura neural”?

Pesquisando a etimologia de memória, essa origina-se inicialmente do grego “mnemis”, que dava à esta faculdade da aquisição, consolidação e evocação dos contatos que o corpo e/ou a mente fizessem com algum objeto externo ou interno um halo de divindade, pois referia-se à Deusa Mnemosyne, Mãe das Musas que protegem a história. A significamos, então, como “a capacidade de protegermos nossas estórias e história, as estórias e história do outro, as estórias e história do mundo, e as estórias e história do que vai para além do mundo”. Ou como nos leva a uma inspiração poética Monteiro (2.006), “somos os narradores da história criada por nós, em nós e para nós”.

Posteriormente, no latim erudito, memória origina-se do prefixo “memor” (“a faculdade da memória”) e do genitivo “ôrîs/os” (“boca”). A significamos como “as reminiscências que surgem do corpo e da mente, e se fazem expressar pela boca”.

E nesse nosso tratar de descobrir significados de memória, ainda nos foi possível o surpreender com a etimologia de “recordar”. Originando-se do prefixo “re” (“repetição, retorno”) e do radical “cordis/cor” (“aprender, saber”/“coração”), e tendo sido o coração também considerado como a sede da memória no mundo antigo, vindo posteriormente a ser também a sede das emoções, significamos memória como “as reminiscências que surgem da linguagem do coração”.

Mas e o processo da Meditação da Plena Atenção (Mindfulness), o que sua prática por anos na construção da concentração nos possibilitou nessas semanas e nas fases seguintes a essas?

Fazendo parte de uma das práticas de cultura mental propostas pelo modelo de Psicologia Abhidhamma (modelo teórico, metodológico e técnico cujos tratados filosóficos e psicológicos antigos conhecidos como Abhidhamma/Abhidharma foram compilados desde o séc. V a.C.), a Meditação da Plena Atenção (Mindfulness) consiste de uma prática da atenção e da observação direta dos processos corporais e mentais. Ainda pouco conhecida em nossas terras, fundamenta-se inicialmente no desenvolvimento da concentração (samatha, “o estado mental de se estar firmemente fixado”). “A concentração pode ser definida como aquela faculdade da mente na qual o focamento em um objeto se dá sem interrupção e numa experienciação a mais próxima das consciências advindas do corpo e da mente, enquanto essas se dão” (Gunaratana, 1.995). Após o desenvolvimento da concentração, a ponto da consciência focalizar-se em um único processo corporal (atenção sensorial ou percepção seletiva) ou mental (atenção mental ou cognição seletiva), passa-se ao desenvolvimento da concentração e da plena atenção simultaneamente (vipassana, “a visão clara”; ver claramente, distintamente, diretamente todos os processos que venham a se dar no corpo e na mente), o que nos possibilita a plena atenção não enquanto o resultado de uma mera compreensão intelectual, mas a observação direta de todo e qualquer fenômeno que se dá em nosso próprio corpo e mente. Como Shaker colocou:

“Mindfulness, a meditação da plena atenção e do insight, consiste no treinamento da faculdade mental da atenção, desenvolvendo-a pela prática da observação direta das experiências internas do corpo e da mente de maneira completamente consciente e sem julgamentos. Este treinamento, que envolve igualmente o desenvolvimento da faculdade mental da concentração, permite que a pessoa se posicione à certa distância dos enredos das formações mentais, observando momento a momento o corpo (em seus vários ângulos – como a respiração, batimentos cardíacos, sensações, etc.) e os pensamentos espontâneos do cérebro/mente” (2.010).

Para tal treinamento e desenvolvimento, utilizamos por anos a técnica da “Meditação da Plena Atenção na Respiração” (ânâpânasati, “plena atenção na inspiração e na expiração”). Através da plena atenção a cada inspiração e expiração, é possível observarmos e investigarmos o corpo e a mente. Como afirmou Buddhadâsa Bhikkhu (1.988):

“Quais são os objetos de contemplação apropriados, corretos e necessários a cada instante enquanto inspiramos e expiramos? Aqui são quatro os objetos de contemplação apropriados: os segredos de ‘kâya’ (o corpo), os segredos de ‘vedana’ (as sensações/emoções), os segredos de ‘citta’ (a mente), e os segredos de ‘dhamma’ (a natureza fundamental das coisas). Porque esses quatro objetos já existem dentro de nós e são as raízes de todas as dificuldades e problemas, podemos, então, utilizá-los mais do que a qualquer outro objeto para treinarmos e desenvolvermos a mente”.

Desde iniciarmos tal prática, percebemos o fundamental significado e função da Meditação da Plena Atenção (Mindfulness). Com o gradual desenvolvimento da habilidade de sustentarmos a plena atenção em nossas percepções, de sua originação até sua supressão, nos é possível o desenvolvimento da compreensão dos fenômenos corporais e mentais. É possível, desde seus desencadeamentos a partir das impressões visuais, auditivas, olfativas, gustativas, táteis e mentais, até as consciências de cada estado experienciado pelo corpo e pela mente, percebermos cada vez mais esses processos.

E qual não foi nossa surpresa, assim que a função da memória remota foi sendo recuperada, ao percebermos o papel da plena atenção nos vários processos que experienciávamos.

Por termos alguns treinamentos da habilidade da percepção e do processamento consciente e inconsciente de estados corporais e mentais, percebemos o quanto a plena atenção nos possibilitou condições para que o armazenamento das informações que eram assimiladas através dos sentidos pudesse se dar. É como se o mosaico das percepções que compõem a memória pudesse ser criado não apenas pelas impressões que o corpo e a mente experienciavam a partir do contato com algum objeto externo e/ou interno. A possibilidade da observação direta de algumas das funções corporais, das sensações, das emoções, das percepções, das formações que provem da mente e das consciências, enquanto as experienciávamos, também participava da construção da memória remota. E quanto mais sustentávamos a plena atenção nesses processos, percebemos como maior eram nossos mecanismos de armazenamento de longo prazo. Pudemos nos aproximar de Kandel (2.000), neurocientista que estava em evidência em nossa terra quando do início dessas nossas experienciações, em “o mapa da memória só se mantém estável quando há atenção”.

O leitor já pôde observar como se dão suas percepções do corpo e da mente? Pôde observar o quanto somos “passivos” em nossas percepções? O quanto nossa “plena atenção”, a qual deveria ser uma das condições essenciais a toda e qualquer percepção, não passa de uma atenção a algumas impressões que o corpo e a mente experienciam após cada contato com um objeto externo ou interno? Pôde perceber o quanto somos “relatos parciais de memórias”, como nos aponta Sperling? Ou seja, o quão pouco nossas memórias são constituídas da plena atenção aos nossos processos corporais e mentais? E numa tentativa de tornar poética nossa fala, o quanto somos “cegos de atenção”?

Algumas são as pesquisas e trabalhos desenvolvidos sobre os processos cerebrais produzidos pela Meditação da Plena Atenção (Mindfulness). Em especial, quanto ao aumento da densidade hipocampal (Frewen, P.) e das áreas associadas com a atenção (Brefczynski, L.), e as respostas do córtex pré-frontal (Cheng, R.) e áreas cinguladas (Corrigan, F. M. e Holzel, B.).

Tendo como experienciação a “neuroplasticidade” (a propriedade de “plasticidade” do sistema nervoso – a interrelação existente entre várias regiões cerebrais e o potencial de áreas remanescentes assumirem o controle quando uma região específica for comprometida) e a sua possibilidade de “criação” e de “recriação” a partir das conexões sinápticas, que estudos e pesquisas como o papel ativo da Meditação da Plena Atenção (Mindfulness) na intensificação dos vários mecanismos de armazenamento da memória possam ser um dos objetos de nossa “plena atenção”. E o começo... Experienciar a Meditação da Plena Atenção (Mindfulness).


Referências Bibliográficas

BUDDHADÂSA BHIKKHU . “Mindfulness with Breathing: A Manual for Serious Beginners” Boston: Wisdom Publications, 1.997.
“Dicionário Etimológico Nova Fronteira”. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1.986.
GUNARATANA, Venerable Henepola. “Mindfulness in Plain English”. Boston: Wisdom Publications, 1.995.
KENDAL, Eric. “Em Busca da Memória”. São Paulo: Companhia das Letras, 2.002.
LENT, R. “Cem Bilhões de Neurônios: Conceitos Fundamentais de Neurociência”. São Paulo: Atheneu, 2.005.
MONTEIRO, Pedro. “A Mente e o Significado da Vida”. Belo Horizonte: Gutemberg, 2.006.
NYANATILOKA. “Buddhist Dictionary: Manual oh Buddhist Terms and Doctrines”. Sri Lanka: Buddhist Publication Society, 1.994.
ROSENFIELD, Israel. “A Invenção da Memória: Uma Nova Visão do Cérebro . Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1.994.
SHAKER, Arthur. “A Travessia Buddhista da Vida e da Morte: Introdução a uma Antropologia Espiritual”. Rio de Janeiro: Gryphus, 2.003.






*Psicoterapeuta com Especialização em Psicoterapia Clínica do Adulto e do Casal.
Formação em Coreoterapia – terapia do movimento e da dança; Análise

Junguiana e Arteterapia Símbólica; Terapia do Casal; Terapia Familiar.
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CONSULTÓRIO DE PSICOTERAPIA CLÍNICA
zlatica.consultorio@gmail.com
Rua Rodrigues Caldas, 726 s. 1.005 – 30.190-120
Santo Agostinho

Tel.: (31) 3292.7879

(31) 9806.7944

Belo Horizonte – MG

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Meditação da Plena Atenção
e Saúde

Curso: inicio 23 Agosto
3as. feiras 19.45 - 22hs
Quinzenal
11 semanas

Saiba mais: Meditação da Plena Atenção e Saúde

Para programação completa acesse: programação completa do curso

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Estimados amigos

Com alegria com o lançamento desse nosso livro infanto-juvenil, Por dentro do Escuro, inspirado na sabedoria da cultura mítica do povo Xavante das Aldeias de Pimentel Barbosa e Etenhitiripá, MT, convidamos para esse encontro na FELIT (Feira do Livro InfantoJuvenil) em São Bernardo do Campo.

14 agosto, domingo,17 hs
Sejam benvindos
abraços

Arthur Shaker




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quinta-feira, 23 de junho de 2011


Meditação da Plena Atenção (Mindfulness),  Neurociências e Saúde:

abrindo perspectivas

Dr. Arthur Shaker Fauzi Eid
(PhD - Unicamp)
Casa de Dharma – SP


Este texto traz reflexões sobre as interfaces entre a Meditação da Plena Atenção (Mindfulness), as Neurociências e a Psicologia no campo da Saúde, a partir dos frutos dos cursos, de mesmo nome, iniciados em setembro de 2010, na Casa de Dharma, com duração de um ano, desenvolvido em equipe, e dirigido a profissionais da área de saúde (médicos, psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, etc.), bem como a interessados.

Este curso tem caráter de formação teórica e prática: sob a perspectiva teórica, analisa o que a Ciência moderna reconhece até o momento a respeito dos efeitos desta técnica sobre processos básicos do funcionamento fisiológico do cérebro, utilizando como base, conceitos básicos de neurofisiologia (1), e recentes estudos publicados em diversos periódicos de referência na literatura médica internacional (2), reforçando o potencial papel da prática da meditação da plena atenção como medida de promoção de saúde e auxiliar em diversos tratamentos clínicos. Sob a perspectiva prática, oferece a experiência deste treinamento e reflexão de seus fundamentos cognitivos, implicações e benefícios no âmbito do equilíbrio corpo-mente. 

1. Breve histórico dos intercâmbios

Desde meados do séc. XX, pesquisas de neurocientistas têm aberto campo para a reflexão mais acurada sobre as interrelações corpo/cérebro-mente.

O neurocientista Fred Gage e sua equipe, do Instituto Salk (Califórnia), realizando em 1997 pesquisas com animais, faz várias descobertas importantes sobre como um ambiente enriquecido pode mudar seus cérebros, causando novas conexões entre neurônios, bem como a geração de novos neurônios (3), onde o fator do exercício voluntário teria papel significativo. Um ano depois, utilizando fatias de hipocampo de cérebros de doadores humanos falecidos por câncer, Gage e sua equipe comprovaram a realidade da neurogeneses nos cérebros humanos (4). Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin, em Madison, em sua pesquisa sobre a ciência das emoções, iniciada em maio de 2001, investiga as potencialidades da mente na mudança do cérebro. Em 2004, a prestigiada revista científica Proceeding of the National Academy of Sciences (5) publica o primeiro relato sobre o aumento do sinal gama nos treinamentos da plena atenção e concentração (Mindfulness), uma ativação maior nas regiões cerebrais da ínsula direita e núcleo caudado, rede que outros estudos têm associado aos aspectos afetivo-emocionais cerebrais, bem como mais fortes conexões das regiões frontais para regiões de emoção do cérebro, “sugerindo o poder do treinamento mental de produzir um estado cerebral elevado associado à percepção, solução de problemas e consciência” (6). O neurocientista Francisco Varela, em suas pesquisas sobre cérebro-mente, abre importantes contribuições para o campo das Neurociências e Ciência Cognitiva (7). Nessa linha de investigação, cientistas como Michael Merzenich (Universidade de Wisconsin) e John Kaas (Universidade de Vanderbilt) desenvolvem, a partir da década de 80, linhas de pesquisa relacionadas à questão da plasticidade do cérebro adulto, que evidenciam que o desenho físico do cérebro e o dinamismo do córtex cerebral são moldados e transformados pela experiência e comportamento (8).

Nesta linha de investigações das interrelações entre corpo-cérebro-mente e padrões de comportamento, pesquisas sobre o papel da influência do treinamento da plena atenção e concentração passaram a ser desenvolvidas na área da Psiquiatria e Psicologia. Jeffrey Schwartz, pesquisador e professor de psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, investiga o potencial terapêutico da meditação da plena atenção nos seus pacientes com Transtorno-Obsessivo-Compulsivo (TOC), demonstrando em estudos que o esforço mental voluntário e consciente pode alterar certos circuitos cerebrais, no caso específico, diminuindo a atividade no córtex frontal orbital, o centro do circuito do TOC. Suas pesquisas se inserem no campo da Neuroplasticidade e Neuropsicologia (9).

Na década de 90, cientistas da Universidade da Califórnia apontavam que a Terapia Cognitivo-Comportamental, baseada na mente, poderia intervir no âmbito de certos padrões de atividade elétrica e química dos circuitos cerebrais, relacionados com transtornos psiquiátricos como a depressão. As evidências científicas derivavam de uma ampla pesquisa chamada Treatment of Depression Colaborative Research Project (Projeto de Pesquisa Colaborativa de Tratamento de Depressão), estudo que durou dois anos, financiado e elaborado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) (10).

Nessa mesma linha, a terapia cognitiva da Plena Atenção (Mindfulness-Based Cognitive Therapy, MBCT) vem sendo desenvolvida por cientistas contemporâneos, como Mark Williams (PhD, Professor de Psicologia Clínica e Wellcome Trust Principal Research Fellow da Universidade de Oxford, United Kingdom), John Teasdale (PhD, Department of Psychiatry e no Cognition and Brain Sciences Unit, Cambridge, UK), Zindel Segal (PhD, Morgan Firestone Chair em Psicoterapia na Universidade de Toronto e Diretor do Cognitive Behaviour Therapy Unit no Centre for Addiction and Mental Health), Jon Kabat-Zinn (PhD, Professor Emérito de Medicina no University of Massachusetts Medical School) (11).

Importante salientar que propomos a experienciação desta prática não como alternativa às terapias médicas, psiquiátricas e psicológicas de saúde, o que seria uma simplificação descabida sobre a complexidade envolvida nas questões dos distúrbios físico-mentais da condição humana. A ressalva é necessária, dada a quantidade de proposições de “cura mágica” que assistimos surgir nos tempos atuais. O intercâmbio entre a Meditação da Plena Atenção (Mindfulness), as Neurociências e a Psicologia, ainda que considerando os estudos e aplicações acima referidas, ainda é recente, e requer maiores pesquisas e avaliações científicas tanto no âmbito de seus fundamentos conceituais como de seus resultados práticos. Esta prática deve ser vista antes como recurso complementar às terapias médicas, psiquiátricas e psicológicas de saúde, monitorada e acompanhada de avaliações profissionais adequadas.

Convém esclarecer que sua aplicação, bem como outras práticas de apoio, já se encontra atualmente referendada e incentivada pela Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002-2005), e como parte do PNPICS, Portaria 971 do Ministério de Saúde 05/2006 (SUS-Política de Práticas Integrativas e Complementares), bem como parte das práticas tradicionais, complementares e integrativas em certas capitais brasileiras, como nas Coordenadorias Regionais de Saúde da Prefeitura Municipal de São Paulo. Poderíamos também citar o Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos, Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, Hospital Albert Einstein, ou como tema de pesquisa no Centro de Estudos do Envelhecimento da Universidade Federal de São Paulo, e na Universidade de Brasília.

2. A Meditação da Plena Atenção (Mindfulness): Fundamentos

Mindfulness, a meditação da plena atenção e do insight, cuja origem se encontra na tradição budista, consiste no treinamento da faculdade mental da atenção, desenvolvendo-a pela prática da observação direta das experiências internas do corpo e da mente de maneira completamente consciente e sem julgamentos. Este treinamento, que envolve igualmente o desenvolvimento da faculdade mental da concentração, permite que a pessoa se posicione à certa distância dos enredos das formações mentais, observando momento-a-momento o corpo (em seus vários ângulos – como a respiração, batimentos cardíacos, sensações, etc.), as emoções e os pensamentos espontâneos do cérebro/mente.

3. Significados e benefícios no equilíbrio corpo e mente

Esta habilidade prática, conforme resultados evidenciados nas referências científicas citadas, consiste em um treinamento para o desenvolvimento de uma percepção da realidade, progressivamente equânime ante às experiências das sensações e emoções associadas ao processamento consciente e inconsciente das informações percebidas pelas áreas sensitivas primárias, em áreas cerebrais mais complexas relacionadas à memória, emoções e padrões de comportamento, principalmente em situações em que este processamento leva o indivíduo a estados de desequilíbrio físico e psicológico.

Uma recente pesquisa realizada pela Harvard Medical School, EUA, em conjunto com um instituto de neuroimagem da Alemanha e a Universidade de Massachussets (12), e publicada na “Psychiatry Research: Neuroimaging” (13), após comparações entre as ressonâncias magnéticas dos que foram treinados a praticarem esta meditação da plena atenção por oito semanas e um grupo-controle que não fez as aulas, estas ressonâncias mostraram aumento de massa cinzenta no hipocampo esquerdo, no córtex cingulado posterior, na junção temporo-parietal e em duas áreas do cerebelo dos meditantes. Segundo Britta Hölze, pesquisadora da Harvard Medical School e uma das autoras do estudo, isso pode representar melhoras nas áreas da aprendizagem, memória, emoções e estresse. Acresce-se também que por ser o hipocampo uma área onde há uma maior concentração de neurônios, o aumento da massa cinzenta no hipocampo é benéfico, segundo avaliação de Sonia Brucki, neurologista do departamento científico de neurologia cognitiva e do envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia (14). Isto reforçaria a proposição sobre a estimulação da neurogenees e da neuroplasticidade do cérebro, e, portanto, da mudança da estrutura do cérebro, como efeito de certas práticas como a da Meditação da Plena Atenção. Novas pesquisas e avaliações deverão precisar com maiores dados os benefícios, desafios e limitações envolvidas nesta complexa temática da saúde humana.

Concluindo, e retomando a questão das proposições da Meditação da Plena Atenção (Mindfulness), seu treinamento possibilitaria que o indivíduo, em um primeiro momento, perceba o surgimento dos estados corporais e psicológicos a que as experiências do dia-a-dia condicionam o corpo e a mente, e, em um segundo momento, desenvolva gradualmente a capacidade de não se identificar com tais estados psicológicos, podendo escolher sua forma de responder frente a tais experiências de modo mais equilibrado, aumentando sua qualidade de vida e diminuindo assim o impacto de condições causadoras (e por sua vez resultantes) de estresse crônico e baixa qualidade de vida.

4. Notas

(1) Guyton, Hall Tratado de Fisiologia Médica 10º edição
(2) 2010 out., Função Cognitiva CBF, University of Pennsylvania J Alzheimers Dis;20(2):517-26; 2010 jun., Função cognitiva e índice de recaídas em etilismo crônico J Psychoactive Drugs;42(2):177-92; 2010, Modulação da Dor, Department of Psychology, Columbia University Pain;150(3):382-3, 2010 Sep.; 2010, Dor, potencial Evocado Antecipatório Human Pain Research Group, University of Manchester, Pain;150(3):428-38, 2010 Sep.; 2009, Contagem de Células CD4+ em SIDA Inst. Psiquiatria UCLA, EUA Brain Behav Immun;23(2):184; 2007; Capacidade funcional em ICC, Department of Medicine, University of Pennsylvania.).
(3) Gage, F. H.; Kempermann; Kuhn, H.G.: “More Hippocampal Neurons in Adult Mice Living in an Enriched Environment” Nature 386 (1997): 493-95.
(4) Gage, F.H, Erikson, P.S; Perfilieva E.; Bjork-Eriksson, T.; Alborn, A.M; Nordborg, C.;Peterson D.A.: “Neurogenesis in the Adult Human Hippocampus”, Nature Medicine 4 (novembro 1998); 1313-17.
(5) Davidson R..J.;Lutz, A.; Greischar, L.L.; Rawlings, N.B.; Ricard, M.: “Long-Term Meditators Self-Induce High-Amplitude Gamma Synchrony during Mental Practice”, Proceedings of the National Academy of Science 101 (16 novembro 2004): 16369-73.
(6) Begley, Sharon: Treine a mente, mude o cérebro, p.251; RJ, Objetiva, 2008.
(7) Francisco Varela et al: “The Brainweb: Phase Synchronization and Large-Scale Integration”, Nature Review Neuroscience i2 (2001): 229-239; em imunologia: Francisco Varela e Antonio Coutinho: “Second-Generation Immune Networks”, Immunology Today 12 (1991): 159-166; em biologia teórica: Francisco Varela, Principles of Biological Autonomy, NY: North Holland, 1979; em ciência cognitiva: Varela, Francisco; Thompson, Evan; Rosch, Eleanor: “A Mente Corpórea – Ciência Cognitiva e Experiência Humana”. Lisboa, Ed. Instituto Piaget, 2001.
(8) Merzenich, M.M.; Kaas, J.H.; Wall, J.T.; Sur, M.; Nelson, R.J. e Felleman, D.J. “Progression of Change Following Median Nerve Section in the Cortical Representation of the Hand in Areas 3b an 1 in Adult Owl and Squirrel Monkeys”, Neuroscience 10 (1983): 639-65.
(9) Schwartz, Jeffrey M.; Begley, Sharon: The Mind & The Brain –Neuroplasticity and the Power of Mental Force. NY, Harper Perennial, 2003; Begley, Sharon: Treine a mente, mude o cérebro, p.157; RJ, Objetiva, 2008.
(10) Elkin, I.;Shea, M.T.;Watkins, J.T.; Imber, S.D.; Sotsky, S.M.; Collins, J.F. Glass, D.R.; et all: “NIMH Treatment of Depression Collaborative Research Program: General Effectiveness of Treatments”, Archives of General Psychiatry 46 (1989): 971-83.
(11) Suas proposições e resultados podem ser examinadas em: Williams, Mark; Teasdale, John; Segal, Zindel; Kabat-Zinn, Jon: The Mindful Way through Depression. USA: The Guilford Press, 2007. Nesta obra, há outras referenciais de publicações realizadas em torno desta temática.
(12) Folha de São Paulo, “Saúde”, C12, 30/01/2011.
(13) Idem, C12.
(14) Idem, C12.